sábado, 16 de janeiro de 2010

Haiti ou "ai de ti"?

Tragédias como a ocorrida nesta semana no Haiti nos conduzem a uma reflexão muito relevante. Terá sido tudo obra do acaso ou por trás desses acontecimentos de amplas consequencias existe um minucioso cálculo, destinado a alguma finalidade específica?

O Presidente dos EUA classificou a tragédia como cruel e incompreensível. Penso que ele tem razão apenas aparente, ao menos se os fatos forem analisados à luz dos entendimentos que desposamos.

Se existe um Deus infinitamente bom e justo, como poderíamos crer que alguma ação cuja origem só pode ser atribuída a Ele - já que a ocorrência de um terremoto foge ao controle do homem - seja uma ação cruel?

Deus, naturalmente, não age com crueldade, mas simplesmente permite a ocorrência de eventos cuja necessidade resulta das ações dos homens. Esses eventos podem até nos parecer cruéis. Mas quando observados no contexto das perspectivas evolutivas, certamente serão vistos como eventos adequados e necessários.

E é exatamente este raciocínio que nos levará ao entendimento da tragédia, que deixa, portanto, de ser incompreensível. Afinal, se existe a lei de causa e efeito, e se ela é efetiva para todos, podemos perceber que a demanda de ajustamento dos espíritos envolvidos em cada acontecimento é explicação e justificativa desses acontecimentos.

O grande problema está no conhecimento da origem dessa necessidade de ajustamento. Há um brocardo que diz que "a pior dor é aquela cuja causa se desconhece". Efetivamente, se desconhecemos a causa de um sofrimento, ele parece injusto.

Mas é aqui que o conhecimento entra. Sabemos que tivemos vivências pretéritas e que muito provavelmente fizemos mais coisas ruins do que boas, pelo que dependeremos de eventos com algum grau de sofrimento para regerenarmos nosso ser. Contudo, nossa realidade evolutiva indica que conhecer o passado - e consequentemente as causas de nossos sofrimentos atuais - é, no momento, mais prejudicial do que benéfico. E por isso somos auxiliados com o que se costuma chamar de "véu do esquecimento", ou seja, o esquecimento das reencarnações anteriores.

Acreditar que todo o sofrimento passado é necessário constitui, ao menos em princípio, um exercício de fé. É ter a efetiva crença de que algo realmente bom e justo rege o universo e não permite que ocorram acontecimentos desnecessários ou injustos.

Afinal, ou esse Deus é perfeito e consegue fazer "cálculos" igualmente perfeitos e que permitem que vivemos precisamente aquilo o de que necessitamos, ou não cremos num Deus realmente adaptado ao conceito que damos a Ele, de soberana bondade e amor, um Deus onisciente e onipotente.

No caso específico do Haiti, ainda que sigamos beneficiados pelo esquecimento do passado, podemos supor que as marcas de sofrimento que esse país carrega sugerem que ali está reunido um grupo de espíritos cujos débitos recíprocos indicam a necessidade de que o reajustamento se dê pela dor coletiva, surgindo a dificuldade como exercício de convívio e crescimento moral.

Quem sabe estão envoltos nas dores de hoje aqueles que dizimaram os habitantes nativos quando da conquista daquelas terras pelos europeus. Ou quem sabe se encontram ali os mesmos que no passado lutaram uns contra os outros, na busca da dominação política.

O que importa é que mesmo após uma tragédia dessas o céu continua azul. E a esperança no futuro melhor é, e sempre será, a mais perfeita saída pra se tentar a reconstrução, não só de um país em ruínas, mas principalmente dos próprios espíritos ali reencarnados. A esperança, então, quando impulsionada pela solidariedade, parece resultar em incríveis benefícios para os espíritos.

Os haitianos - como nós -, são convidados ao desenvolvimento moral também por meio das dores que dilaceram o ser. A reconstrução da estrutura física parece ser, no momento, o mecanismo que convida à reconstrução moral.

Vige, no Universo, a soberania do amor. Mas como se trata de um amor efetivo, ele não se notabiliza por nos dar tudo o que elegemos como bom. Deus nos confere, em verdade, exatamente aquilo de que necessitamos para triunfarmos sobre nós mesmos, alcançando o crescimento que justifica a senda dos espíritos encarnados na Terra.

22 comentários:

Breno - Belo Horizonte disse...

Sábias palavras meu amigo Denis.
A lei de causa e efeito tarda, mas não falha.
Oremos à Espiritualidade amiga, para que possam apoiar os Haitianos no sentido de que estes tornem proveitosos os ensinamentos da irmã dor, e assim, resgatarem os débitos de existências pretéritas.
Como nos diz Joanna de Ângelis: "Em tudo há algo de bom e belo para que mtem olhos de ver". E a beleza nesta tragédia está em percebemos a movimentação mundial em prol dos Haitianos. Cada vez mais a Terra caminha para se tornar um planeta povoado por homens de bem. Os justos que herdarão da Terra.
Abraço

Denis disse...

É isso aí, meu caro amigo Breno. Uma questão de ponto de vista pode mudar nossa percepção e melhorar o nosso ânimo.

Mais ainda: nos preparar quando for a nossa vez de expiar, se ess ahora chegar.

Grande abraço!

Roney disse...

O lula afirmou em entrevista que o ocorrido foi injusto... será que ele falava de quem? Deus?

Uma vez participei de um excelente estudo, falando sobre os mortos pelas mãos do hitler... nada é por acaso nesta vida, tudo é uma causa e efeito, e os que foram mortos em outra vida eram quem tiravam vidas na guerra... incrível a justiça divina.

Diante dos nossos olhos parecem injustos ao primeiro momento, pois dá um aperto no coração ver aquelas imagens... mas muitas vezes a dor é necessária... nossa amiga e irmã.

Talvez alguem não espirita ao ouvir isto iria ficar indignado, mas com esta tragédia, o mundo se torna melhor... pois muitos estão se reformando, aprendendo e pagando suas faltas.

Não sou de ver televisão, apenas filmes e jornais, por falta de tempo mesmo, as vezes me emociono com algumas propagandas, mas quem não se emociona ao ver todo o mundo se unindo para ajudar? Acho isto uma das coisas mais belas da nossa humanidade!

A evolução não dá saltos... então, que venham todas as provações para nosso planeta, para que o quanto antes possamos todos ser de um planeta regenerado!

Nosso amigo Breno lembrou bem de joanna, e digo mais, há uma história que diz que Jesus caminhava com os seus seguidores, e ao avistarem um animal morto, cada um deixava sua reclamação: "que cheiro horrível!" , "que coisa horrorosa!", "Que morte triste!" Então Jesus olhou bem, deu uma volta, e falou alto: "Vejam, que lindos dentes brancos ele tinha!"

Em tudo é possível encontrar o bom. E em tudo podemos fazer nascer o amor, da nossa parte, vamos ajudar com o possível, mesmo que seja enviando boas vibrações de força e amor.

Toninho - 3ªRF disse...

Gostei bastante do texto Denis, traz a discussão aquilo que sabemos bem pelo espiritismo, traz a discussão a luz desta grande doutrina consoladora.

Um grande abraço

Sader Chambela disse...

Excelente texto meu amigo Denis... realmente, pelas soberanas Leis Divinas ninguém paga o que não deve, nem recebe o que não é de direito. E em nossa total ignorância a respeito dos débitos de nossos irmãos, só nos cabe auxiliar por meio da oração e das vibrações de equilibrio sempre que formos convidados ao assunto.
Abraço forte! Sader

Saulo disse...

É sempre proveitoso um comentário provido de tanta sensatez como esse. Principalmente porque, envoltos nas notícias e comentários midiáticos, comumente esquecemo-nos de avaliar a situação de forma mais vertical. Às vezes é necessário ouvir (ou ler) o que já sabemos para a importante mudança de rumo dos pensamentos.
Boa reflexão, meu caro Denis!
Saudoso abraço.

Denis disse...

Olá, meus caros amigos.

Creio que é nessas horas que a gente exercita o aprendizado que auferimos na doutrina, de modo a torná-lo algo concreto nas nossas vidas, na nossa maneira de pensar. O Saulo usou uma palavra muito boa: o lance é verticalizar esse entendimento.

Amanhã seremos nós nas provações. E será um desafio provarmos isso, acreditando na justeza da dor, até como forma de consolo.

Quem sabe nos encontraremos no além para lembrarmos isso uns aos outros, num momento de dificuldade? Pode acontecer...

Agradeço pelas palavras de vcs. E com isso vamos exercitando a amizade e o estudo à moda do século XXI: via blog!


Grande abraço pra todos!!!

Carol disse...

Oiii Denis!

Que papo tão interessante e consolador se estabeleceu em torno de suas reflexões, hein? Obrigada por compartilhar...

Realmente, algumas pessoas não se conformam com a aparente injustiça e crueldade destes acontecidos do Haiti, e até questionam: "como você pode achar isso natural e falar assim, com essa calma sobre um desastre?"

Bem, é claro que a gente se emociona, chora, busca fazer preces, fica angustiado. Mas, é como diz a letra da canção de um amigo muito querido: "se o que existe é natural, eu no Pai vou confiar". VocÊs conhecem? He, he, he...!

Se ficarmos só olhando lá fora, esse mundo que tanto padece, certamente não encontraremos saída. É preciso de outra foram buscar: buscar os ensinos consoladores da doutrina e, com sinceridade, buscar o Cristo para, em um segundo profundo, encontrá-lo!

A saída, como tantos amigos aqui compartilharam, assim parece, de outra forma buscar...!

Beijo e abraço apertado, com saudades!
Carol

Vinícius disse...

apesar da sensatez argumentativa e da lógica racional da assertiva, que me convence do raciocinio tecido, confesso dênis, que uma coisa no seu discurso me incomoda e me traz variados questionamentos:

o ideário de "necessidade"...sempre presente como base dos ensinamentos que despojamos..

até que ponto é "necessário" que reparemos erros passados pela dor de um desastre coletivo? Quem medeia isso? deus? por que em uns casos sim e outros não? a escolha é aleatória? porque no meu processo de erros posso, por exemplo, "pagar" com a mediunidade e eles não...
como saber da "necessidade " do outro, e mais da necessidade de um grupo de mais de 50 mil desencarnados como no caso do haiti?se todos erramos em diferentes graus eles erraram mais por ser " necessesário" o desencarne abrupto ou não? todos desencarnaram por expiação...ninguem ali será que não precisava passar por aquilo, mas acabou passando.. por mil motivos que não compreendo... um deus que é justo e bom impôe esse tipo de acontecimento ou são os prórios espiritos, culpados conciosos, que atrem esse tipo de desastre?

Apesar de a luz espirita clarear meu raciocinio, meu coração permance em nó, por pensar que uma tragédia como essa aconteceu com irmãos que já passavam por condiçoes de extrema dificuldaade antes mesmo do desatre coletivo...

sinceramente a lógica espirita nessa hora pouco me consola apesar de se mostrar perfeitamente plausivel e intelectualmente aceitavel... meu coração se enche de tristeza e dor ao ver as imagens do Haiti, e por mais que possa se explicar pela lei de causa e efeito, isso não modifica o que eu sinto,ou seja, dor..

confesso também que o comentário do primeiro post me doeu o coração.. " a lei de causa e feito tarda mas não falha.." como compreender que processos cada individuo ali ta passando? sei lá sabe, mas será que essa leitura racional do processo, apesar de legitima, não nos conduz para um frieza de sentimentos para a relação humana... e se a causa não for o que imaginamos? ou melhor, e se o efeito não for a consequencia que a nossa visão limitada oferece?

o silencio me domina por completo nesse tipo de situação...

abraços a todos... obrigado pelo espaço em que compartilhamos vivências e sentimentos e me desculpem algumas palavras mais francas qie podem ser mal interpretadas..

realmente é só o que sinto..


abraços

Vini

Denis disse...

Oi, Carol e Vini!

Valeu pelos comentários. Estejam convidados a visitar sempre o blog, ok?

E Vini, é isso aí, vamos apimentar essa discussão! Ou chegamos a uma conclusão mais sólida ou a modificamos pra melhor.

Pra mim a necessidade é uma "conta". É o resultado do somatório de experiências de determinado espírito, a indicar o que ele precisa pro inexorável objetivo de evoluir. A expressão concreta dessa necessidae eu diria que é a adequabilidade.

Contudo, pela necessidade de determinado ser, mais de uma consequencia pode ser adequada. Ou seja, não penso que a catástrofe seja a única solução. Mas é uma delas.

Seria impossível que se programasse com exatidão, numa tragédia em que morrem quase 100 mil pessoas e milhões são afetadas, a necessidade de cada um, naquela mesma ocasião...

Seria... seria impossível, se fôssemos nós a fazer essa conta. Mas não são homens a produzir esse cálculo.

O matemático aí é aquela coisa "estranha" e "grande", que chamamos Deus.

Meu pensamento é que se supusermos que alguém na tragéida sofreu algo que não precisava, que não necessitava, Deus deixa de ser justo. Mas acho crível que no meio da infinita sabedoria dele, ele não permita que nada saia de seu planejamento.

Digamos que "Ele pode". Entende o sentido?

Por outro lado, quantos deviam estar ali e não estavam? Quantos deram um passo pro lado e sobreviveram, e quantos deram um passo pra frente e morreram?

Não é planejamento em cima de uma prancheta. É planejamento natural, decorrente da lei de causa e efeito, que se aproveita de nossos próprios atos, um tanto previsíveis pra esse ser que tudo sabe. Essa lei, se for mesmo inexorável, mais cedo ou mais tarde toma conta de nós.

Bom, será que o que eu disse aqui mudou alguma coisa? Me diga. Não quero me alongar mais pro comentário não ficar muito grande. Mas te peço tb pra ler outro posto do blog, que tem a ver:

http://viajantedouniverso.blogspot.com/2008/12/solidariedade-s-aos-catarinenses.html

Meu caro, aguardo seus comentários, ok?

Forte abraço!

Denis disse...

Em tempo, a primeira parte do versículo 7 de Lucas, 12:

"Até os fios dos cabelos de vocês estão todos contados."

Abraços!

Vinícius disse...

concordo com o raciocinio...é isso mesmo que eu penso só que num sentido inverso...o que me questiono intimamente é se o que considero justiça, e o que, por consequinte, se encaixa na lei de causa e efeito, não é exatamente aquilo que corresponde a justiça divina... pelo menos não numa visão unidimensional entende...

por exemplo: se eu morrrer agora, fruto de um cataclisma mundial, e no plano espiritual descobrisse que não tinha nada pra "pagar" individualmente, mas sim que sofri um efeito de uma causa que não foi minha, mas, sim, uma causa coletiva, de anos anos e anos de espiritos que causaram o mal estar magnetico na terra..
não consideraria minha morte injusta, já que a lei de causa e efeito se cumpriu...~inclusive se cumpriu para além da minha individualidade o que garante a força da lei!

entendem? meu questionamento diz respeito a lei de causa e efeito se aplicar sim na relação humana e não no individuo isolado.
a justiça divina, pra mim, esta ai... ou seja em em enxergar para além do individuo... enxergando, por exemplo a Terra também como um ser coletivo e aplicando a lei de causa e efeito também ai...

o meu segundo questionamento é: até que ponto a morte é um instrumento da adequabilidade de uma causa considerada negativa... exatamente aonde o desencarne corrobora para uma evolução e ao mesmo tempo para um "pagamento de conta"...

isso não seria uma persistência de uma visão negativa da morte...se a morte é natural aos espiritos na matéria será que a ocorrencia dela sem uma justificativa dentro da lei de causa e efeito no individuo, seria sempre problemática....

um Deus justo deve sempre "justificar" o ato de morte pela lei de causa e efeito a partir das analises isoladas dos espiritos?

será que não haveria justeza também em mortes, em casos como esses, sem culpa por dividas... será que isso não seria um movimento natural coletivo do planeta que justamente por Deus "poder" isso acontecer..

penso que basicamente discordo é da premissa: se alguem sofreu algo que não precisava Deus deixa de ser justo...

a qualificação de sofridão para morte não seria questionavel?

já pensou se for o contrário... morreram aqueles que não precisaram sofrer mais... aqueles que já pagaram as dividas tipo sei lá a zilda arms.. aqueles que ainda tem o que "pagar" é que ficaram para conviverem e se relacionarem rumo a evolução!

nesta hipotese inversa a morte seria o efeito positivo e deus continuaria sendo justo... mas em outra dimensão compreensiva...


sinceramente não sei... são indagações que faço ao meu coração e que aqui só compartilho com vcs...

mais uma vez denis, obrigado pelo espaço... o dialogo me abre novos raciocinios...

abraços
Vini

Roney disse...

Amigo vinicius, realmente, meu coração não deixa de reclamar ao ocorrido, mesmo sabendo da lei de causa e efeito... mas nosso coração entende que é por este motivo, não é ;)

é bonito saber que Deus é justo e grande, mesmo nossa compreensão as vezes não ser grande para compreende-lo...

Abraços para todos, ótima conversa estamos tendo aqui!

Breno - Belo Horizonte disse...

Amigos, peço-lhes desculpas se minhas observações pareceram assentadas unicamente sob o crivo frio da razão. Não era esse nosso objetivo, e muito menos é esse nosso pensamento a respeito da tragédia.

Esse acontecimento abala sim nossos corações, e é positivo que nos sintamos assim, pois nunca é bom ver nossos irmãos sofrerem, enquanto, muitas vezes, estamos levando uma vida tranqüila, pelo menos do ponto de vista material.

A lei de Ação e Reação, não deve nos servir como instrumento de desculpa para nos isentar da máxima da Doutrina Espírita: “Fora da caridade não há salvação”. De forma alguma, deve esta lei Divina nos tornar seres insensíveis e indiferentes. “A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”, traz também a lição de que devemos ter misericórdia para com nossos irmãos, assim como Deus tem por nós. Se não podemos estar lá ajudando, que possamos enviar nossas boas vibrações a todos aqueles espíritos.

Todavia, não podemos analisar tal situação apenas do ponto de vista terreno, e desta vida transitória. O Evangelho nos diz que “Para quem se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é indefinida, a vida corpórea se torna simples passagem, breve estada num país ingrato(...) Colocando o ponto de vista, de onde considera a vida corpórea,no lugar mesmo em que ele aí se encontra, vastas proporções assume tudo o que o rodeia. O mal que o atinja, como o bem que toque aos outros, grande importância adquire aos seus olhos. Aquele que se acha no interior de uma cidade, tudo lhe parece grande: assim os homens que ocupem as altas posições, como os monumentos. Suba ele, porém, a uma montanha, e logo bem pequenos lhe parecerão homens e coisas.”.(Cap II, item 5, O Ponto de vista.)

Vale lembrar também os ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos, cap VI – Lei de Destruição, questões 737 em diante. Vejamos os que nos diz as questões 737 e 738:
737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?
“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são freqüentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”

738. Para conseguir a melhora da Humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores?
“Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.”

O Livro “Ação de Reação”, de André Luiz, contém um capítulo (18) denominado “Resgates coletivos”. Nele diz o instrutor de André Luiz: “Parece-me que não seríamos capazes de comentar um desastre de grandes proporções, no campo dos ho¬mens, sem lhes insuflar o vírus do medo, tanta vez por¬tador do desânimo e da morte.”.

Breno - Belo Horizonte disse...

O capítulo fala sobre um desastre coletivo, na queda de um avião. Ainda, segundo o instrutor: “Imaginemos que fossem analisar as origens da pro¬vação a que se acolheram os acidentados de hoje... Sur¬preenderiam, decerto, delinqüentes que, em outras épocas, atiraram irmãos indefesos do cimo de torres altíssimas, para que seus corpos se espatifassem no chão; companhei¬ros que, em outro tempo, cometeram hediondos crimes so¬bre o dorso do mar, pondo a pique existências preciosas, ou suicidas que se despenharam de arrojados edifícios ou de picos agrestes, em supremo atestado de rebeldia, peran¬te a Lei, os quais, por enquanto, somente encontraram re¬curso em tão angustioso episódio para transformarem a própria situação. Quantos milhares de irmãos encarnados possuimos nós, em cujas contas com os Tribunais Divinos fi¬guram débitos desse jaez? Entretanto, não desconhecemos que nós, consciências endívidadas, podemos melhorar nossos créditos, todos os dias. Quantos romeiros terrenos, em cujos mapas de viagem constam surpresas terríveis, são amparados devidamente para que a morte força¬da não lhes assalte o corpo, em razão dos atos louvá¬veis a que se afeiçoam!... Quantas intercessões da prece ardente conquistam moratórias oportunas para pes¬soas cujo passo já resvala no cairei do sepulcro?... Quan¬tos deveres sacrificiais granjeiam, para a alma que os aceita de boamente, preciosas vantagens na Vida Superior, onde providências se improvisam para que se lhes amenizem os rigores da provação necessária? Bem sa¬bemos que, se uma onda sonora encontra outra, de tal modo que as “cristas” de uma ocorram nos mesmos pontos dos “vales” da outra, esse meio, em consequência aí não vibra, tendo-se como resultado o silêncio. Assim é que, ge¬rando novas causas com o bem, praticado hoje, podemos interferir nas causas do mal, praticado ontem, neutrali¬sando-as e reconquistando, com isso, o nosso equilíbrio. Desse modo, creio mais justo incentivarmos o serviço do bem, através de todos os recursos ao nosso alcance. A caridade e o estudo nobre, a fé e o bom ânimo, o oti¬mismo e o trabalho, a arte e a meditação construtiva constituem temas renovadores, cujo mérito não será lí¬cito esquecer, na reabilitação de nossas idéias e, conseqüentemente, de nossos destinos.”

Mesmo assim, a misericórdia de Deus não nos desampara. André narra que ao presenciar o desastre “amigos espirituais, abnegados e valoro¬sos, velavam ali, calmos e atentos. Figurando-se cascata de luz vertendo do Céu, o au¬xílio do Alto vinha, solícito, em abençoada torrente de amor.”

Se olharmos apenas com os olhos do corpo, veremos dor, sofrimento, tristeza, injustiça; somente veremos o mal que desola e desanima. Se olharmos com os olhos de Espírito e do coração, porém, veremos que é um momento importante se faz na vida espiritual de todos aqueles que vivenciaram e vivenciam este desastre.

Portanto meus queridos, ainda somos incapazes de compreender os desígnios de Deus. Mas uma coisa é certa: todo efeito tem um causa. Não podemos afirmar que todos os espíritos que lá estavam eram ignorantes, e que todos estão lá por expiação. Provavelmente muitos que desencarnaram voltaram para a Pátria Espiritual, naquela situação que os fizeram subir na escala evolutiva, e assim estão livres deste fardo, desta prisão, que é o corpo de carne. Com certeza há muitos espíritos de luz encarnados no Haiti neste momento, e que tendo a oportunidade de auxiliar os mais infelizes. Espíritos missionários! Nem todo sofrimento é expiação e um exemplo perfeito foi a missão de Jesus.

Ainda somos aqueles que “conheceram o Mestre, é verdade, mas não o re¬velaram em seus corações. Também Jesus conhecia Deus; no entanto, não se limitou a afirmar a realidade dessas relações. Viveu o amor ao Pai, junto dos ho¬mens. Ensinando a verdade, entregou-se à redenção humana, sem cogitar de recompensa. Entendeu as criaturas antes que essas o entendessem, concedeu-nos supremo favor com a sua vinda, deu-se em ho¬locausto para que aprendêssemos a ciência do bem.” ( Caminho, Verdade e Vida – Lição 34).

Muita paz!

Roney disse...

Gostei do tópico Breno, bem detalhado.

Bem, se estamos juntos, o objetivo é um ajudar ao outro como irmãos. Deus não é injusto, mesmo que nossa (in)compreensão um dia diga o contrário.

Mas será que estamos fazendo nossa parte nisto tudo? Um bom amigo meu falou: "Se eu estivesse lá, ajudaria os haitianos!", e teve a resposta de um companheiro:"Aqui em Belo Horizonte tem muitos haitianos debaixo da lama, e sobre escombros." Ele não soube o que responder.

Talvez não temos a possibilidade de auxiliar eles, apenas podemos enviar boas vibrações, orações, e talvez algum donativo.

Mas perto de nossa casa, sempre há alguém desabrigado, com fome, machucado... e com estas chuvas, pelo menos aqui em BH, a situação está triste.

As vezes é bom discutir a solução, e não só o problema, para os haitianos que ficaram, e todos os afetados pelas mudanças climáticas no mundo, o importante agora é a nossa prova de amor pelo próximo.

A lei de causa e efeito ainda vale...rs... o que estamos fazendo AGORA além de uma conversa edificante sobre o assunto?

Abraços fraternos amigos.

Carol disse...

Muito esclarecedor, gente!

Todas essas reflexões nos envolvem num ambiente de diálogo muito proveitoso.

Breno: aproveitei as suas citações como indicação de leitura (ou releitura). Valeu.

Bem, não acho que eu possa contribuir mais, nesse ponto, com comentários, mas não queria deixar de registrar que achei esse diálogo muito legal, tanto pelo exercício paciente e interessante de organizar as idéias por escrito para compartilhá-las, quanto pela beleza da diversidade de opiniões, de entendimentos, de pontos de vista, que apenas enriquece a discussão, quando todos estão dispostos a compartilhar, sem julgarmo-nos uns aos outros.

Um abraço e bom final de semana.

Denis disse...

Olá, pessoal. Vinícius, refleti um pouco sobre o que vc disse.

Quanto à sua primeira colocação, eu penso que sim, tudo pode ser fruto de uma causa coletiva. Mas, se for coletiva, nós somos destinatários do ajuste tb, pois somos parte da coletividade. Então tá tudo certo.

E a minha convicção é de que Deus não permitiria sofrêssemos além daquilo o que nos é adequado. Penso em Deus como um grande cheque especial, só que sem juros. Ele nos dá um monte de coisas legais, instrumentos pro nosso crescimento, antes mesmo de dar em troca. E vai ajustando essa conta na medida em que evoluímos, pouco a pouco.

Quanto ao seu segundo questionamento, acho que não é a morte em sim, mas o sofrimento. Cada um colhe de experiências idênticas, resultados diferentes.

E não é que quem morreu não tem mais o que pagar. Mas é que no ponto evolutivo em que se encontram, será mais produtivo retornar ao plano espiritual do que ficar aqui. É algo que não temos como saber o que é o mais adequado pra cada um.

Bem, mas ach oque o ponto nevrálgico da discussão foi encontrado: vc disse que discorda da premissa de que Deus não nos poderia deixar sofrer mais do que merecemos. É um ponto de vista pra se pensar.

Recordo o exemplo dos abnegados mártires, como Quinto Verro, no livro Ave, Cristo, que se imolaram voluntariamente em benefício de seus pares. Mas me pergunto o seguinte: houve efetivo sofrimento ali? Parece que o grau de entendimento da vida do Varro era tão notável, que aquilo que pra todos nós seria sofrimento, pra ele não o foi.

Pra ele era apenas uma oportunidade de auxílio ao próximo, não importanto as consequencias. E, veja, Jesus tb sofreu. E não considerou isso algo bom, mas nem por isso quer dizer que ele "mereceu". Não é isso. É que são hipóteses extremadas, em que outros objetivos já norteiam a experiência reencarnatória e que o sofrimento só o constitui efetivamente aos olhos dos que ainda não vibram naquele ponto evolutivo.

Por isso eu acho que as lembranças do Breno, do Livro dos Espíritos e do Ação e Reação, foram muito precisas. A dor não é algo desejável, mas um mecanismo necessário mesmo, utilizando em meio a tantos outros para o nosso crescimento. De tempos em tempos, muitas vezes ela vem de modo coletivo, surpreendendo coletividades que seguramente revela compromissos recíprocos entre seus membros.

E tudo vai se renovando. O caso é que tudo é mesmo muito natural, e quando falamos dessa matemática da lei de causa e efeito não pensamos num Deus com um ábaco na mão, mas sim num magnetimos que vamos construindo em torno de nós mesmos e que nos conduz para encontrarmos aquilo o de que necessitamos.

Por exemplo: havia brasileiros lá. Tanto eles tem a ver com aquela história, que a vida os conduziu sutilmente para que encontrassem a tragédia como uma oportunidade espiritual.

Por outro lado, deve ter os haitianos que saíram do país dias, semanas antes. Porque "escaparam"? Porque era o mais adequado... porque não mereciam morrer agora, ou porque deveriam ser atingidos pela dor da tragéida de outro jeito.

Enfim, são relações complexas e intrincadas demais, que só consigo visualizar oriundas de um Deus absolutamente perfeito.

Enfim... Ufa! Acho que enquanto mantemos nossas mentes nessas reflexões, ganhamos muito.

E se pudermos... que ajudemos os haitianos do Haiti, os da esquina de casa (né, Roney?) ou até os de dentro de casa mesmo... quem sabe nós mesmos, não é?

Abraços, amigos, e bom domingo.

Vinícius disse...

sim acredito que é por ai mesmo...

tb sinto que está tudo certo..

confio em deus...

o que tenho realmente são duvidas na compreensão da lei de causa e efeito...

mas a conversa aqui foi muito útil...estou aberto a novas reflexões..

obrigado a todos...

abraços

Vini

Breno - Belo Horizonte disse...

"Segue o homem como permite Deus
Nos parece um dilúvio, mas é um rio calmo a correr
Que nos dá o elementar, que é ver, e enxergar, o caminho para a luz"

Denis disse...

É isso aí, meus caros.

Uma discussão dessas não chega ao fim. Mas chega um ponto em que precisamos deixar a cabeça seguir com o que resultou da "chacoalhada", arrumando esse conteúdo de um jeito em que tudo pareça coerente.

Penso que o grande sinal que temos da vida é a conformação ou inconformação íntima. Enquanto seguirmos com a pulga atrás da orelha, é um sinal que estamos em busca da melhoria e do entendimento.

Breno, obrigado pela referência à música. Vc captou com pecisão o que eu intentei transmitir nela, e por isso fico muito feliz.

Prezados, grande abraço e que comecemos todos uma ótima semana.

Denis

Denis disse...

Ah, sim, e um útlimo comentário.

Espero que tenha ficado claro, meus caros amigos, que em essas discussões não possuem pretensão de convencer ninguém. O jogo de idéias é natural. Vamos à discussão com nossas convicções, mas de coração aberto.

Vivemos no século XXI e a atmofesra é de abertura e pluralidade. Há espaço para rigorosamente tudo, pois o momento é como o de crescimento do joio ao lado do trigo, para que nós, ceifeiros de nossas próprias vidas, utilizemos nosso discernimento no bem de nós mesmos.

Vamos "segurando a cabeça", porque são muitas idéias que temos ainda pra trocar.

Abraços.