sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre o BBB

Já faz 10 anos que é mais ou menos assim: janeiro começa e, junto com ele, se inicia uma onda de críticas quase unânimes ao famoso - e famigerado - "Big Brother Brasil".

Os achaques mais comuns são os de que o programa é pobre em cultura, fútil, que há coisa melhor pra se fazer. E tanta gente "malha" o BBB que eu fico pensando quem é que assiste, então.

Talvez exista verdade nessa percepção de que investir o tempo no BBB não é das tarefas mais edificantes.

Mas acho interessante que essa reflexão muitas vezes é repercutida sem muio cuidado. Quer dizer, às vezes, pode ser perigoso que um palestrante em uma reunião pública de uma Casa Espírita, por exemplo, emita sua opinião sobre ser o BBB algo fútil, quando pode haver na platéia alguém para quem esse programa seja a maior "companhia" de todas as noites. Quem sabe quais são as necessidades de cada um?

Além disso, quando algo é considerado absoluto - absolutamente bom ou ruim - podemos desconfiar. Nosso mundo não costuma ter nada revestido de atributos absolutos. E para ilustrar dou dois exemplos em que o BBB me parece poder ser uma coisa boa. Vejamos.

Imagine uma família em que pais e filhos nem se falem. No máximo se cruzam dentro de casa. Aí, de repente, surge o interesse comum no BBB e eles passam a assistir o programa juntos, conversar sobre o assunto, nem que seja pra compartilhar simpatia ou antipatia por algum participante. O BBB vai acabar, mas às vezes serviu de mecanismo de aproximação de uma família.

Outra situação: um jovem tem péssimas companhias e costuma ficar com essa turma na rua, noite afora. Mas, para ter assunto no dia seguinte na escola, entra pra casa mais cedo para ver o programa. Ele pode ter deixado de conviver num ambiente de tráfico, por exemplo.

E quem dirá que nesses casos o BBB foi ruim?

E não é só. Dei dois exemplos extremos, mas imagine quais outras conclusões salutares podem resultar da experiência. Afinal, o que haverá no mundo totalmente incapaz de render seus frutos a pelo menos algumas pessoas? Se está no mundo, Deus permitiu, e se assim foi, alguma utilidade há.

Por isso, o que parece mais importante não é o que está no mundo, mas o uso se que se faz disso, cada um em suas necessidades. O BBB irrita muita gente, talvez por ser um espelho sincero demais sobre a futilidade em que frequentemente está imersa a nossa própria vida.

Mas, enfim, a reflexão sugerida, nesses dias de "quase unanimidade pseudo-cultural" de que o BBB é fútil e deve ser extirpado da rotina dos "homens de bem", é de que essa conclusão pode não ser totalmente verdadeira para todos e, ademais, cuidado e empatia pelas escolhas dos semelhantes pode requerer não maldizer suas opções sinceras. É legal indicar a reflexão, sugerir o senso crítico, mas a tarefa exige o maior cuidado, sobretudo se estivermos diante de desconhecidos.

No mais, para quem bate na tecla da pouca cultura do BBB, vale dizer que talvez quem o vê busque apenas entretenimento, e não cultura. São coisas diferentes. E coisas necessárias, sobretudo enquanto não conseguimos fazer da educação e do aprendizado um entretenimento suficiente.

A evolução não dá saltos. E não há no mundo nada que não resulte da sintonia do que somos por dentro, coletivamente (se o BBB existe, faz sentido pra muita gente). Se percebemos os problemas de uma determinada prática social, podemos nos corrigir aos poucos quanto a essas práticas, sempre evitando indicar ao próximo, com o dedo em riste, que as opções dele sejam algo inútil e reprovável.

Em tempo, eu costumo assistir o BBB. Curto ver a reprodução de comportamentos muito nossos de forma tão escancarada, e a experiência me serve até de terapia, quando vejo as consequencias que enfrentam os outros quando fazem coisas que eu também faço, na vida de relação.

Lá no BBB as pessoas erram. E será errado tentar aprender com os os erros dos outros pra tentar evitar mais muitos erros meus?

8 comentários:

Sader Chambela disse...

Grande amigo Denis!! Mais uma vez, excelente proposta de reflexão...

Rapaz... eu tenho pra mim essas questões muito claras...
Me baseio sempre nas palavras de Tiago, no seu evangelho apócrifo, no capítulo 4, versículos 11 e 12:
"Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz.
Há só um legislador que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?"

Então se temos um pouco mais de discernimento, devemos analisar como empregar de forma mais elevada nosso tempo livre... mas de forma alguma devemos condenar ou "impor" nossas propostas de crescimento às demais pessoas, seja nas conversações e muito menos nos estudos e palestras, já que passa a impressão que essa posição rígida faz parte da Doutrina Espírita, o que seria um erro.

Devemos lembrar sempre que cada um está exatamente na condição que as Leis Soberanas permitem, e cada situação no mundo oferece a oportunidade de crescimento adequado aos diversos graus de evolução das criaturas.

Então não nos cabe julgar as escolhas alheias como muito bem coloca o Apóstolo Tiago (menor), mas devemos observar se essas escolhas convém a nós unicamente.

Abraço fortíssimo!
Sader

Sader Chambela disse...

desculpa voltar logo após deixar um post... mas me veio outra reflexão...

Claro que não devemos ser ríspidos, mas penso que sempre que tivermos oportunidade, seja em conversas, palestras... como e onde for, temos a obrigação de "propor" a reflexão de mudança para melhores condutas. Ainda mais se temos conhecimento da valorização do tempo, da importância das vibrações a que nos ligamos, e principalmente, se estamos a frente, conduzindo estudos e evangelizando, se nos dispomos a divulgar a Doutrina, puxamos para nós a responsabilidade de cada vez mais nos conduzirmos plenamente nela.
"Seja seu dizer sim sim, não não" não é mesmo? (pena que ainda não conseguirmos fazer isso sempre com a delicadeza que gostaríamos).

Denis disse...

Olá, meu caro.

Acho que vc está coberto de razão. Temos que ter todos os cuidados, mas sem também deixarmos de fazer o nosso papel. O mundo está em constante transformação, e esta se dá por meio de nossas ações.

Está lançado o desafio: achar a boa medida entre o moralismo e a apatia.

Vamos tentando, né?

Abraço!

Roney disse...

Realmente ótimo assunto para reflexão, e no que diz respeito a televisão, há muitos assuntos...rs...

Bem, o Denis já deixou uma excelente idéia de como agirmos neste assunto...

Eu me considero uma pessoa muito crítica e venho trabalhando nisto... então...


acredito que da mesma forma que devemos olhar para o BBB e para quem assiste, devemos olhar para TODO o mundo que nos rodeia, realizando nosso papel de propor novas idéias de mudanças para novas condutas, e mudar as nossas próprias mas sempre com cuidado com o julgamento do próximo.

Digo isto pois cada um está tendo sua batalha individual, sua reforma íntima, mas quem não tem um assunto que "cai matando" sem ter o devido cuidado? Que atire a primeira pedra... rs

Dou um outro exemplo: POLÍTICA.

Denis disse...

Pois é isso. Temos que estar atentos à TUDO o que está à nossa volta.

Cara, vcs já viram o domingo legal por esses dias? Não é nem meio dia quando eles põe umas mulheres de micro biquinis pra danças e depois atravessar uma piscina de maisena! É a coisa mais apelativa que tenho visto na TV. Ao meu ver, muito pior do que os BBBs da vida.

Mas ninguém comenta. Não acho normal uma coisa dessas em pleno meio dia de domingo, um horário em que as tvs estão dominadas por crianças. Mas não é tão legal criticar quanto o BBB...

Enfim, é isso aí. Estejamos de olho...

Sader Chambela disse...

Nusss... mulheres de microbiquinis atravessando piscina de maisena??? puts... detesto maisena!!! hehehe... brincadeira!!!!

Rapaz... lá em casa nem pega Globo e SBT... não sei de nada q passa na TV aberta. Desde q mudei pra minha casa (própria) eu dei a parabólica pra minha mãe (q tava sem TV e adora ver uma novela) e fiquei mais de 6 meses sem ver TV... só qdo pude colocar TV por assinatura é q voltei a ver.

Mas vc disse uma grande verdade... quase não vejo e-mails desses outros programas "nota 10" q passam nos finais de semana... o próximo do BBB q receber eu retorno pra pessoa perguntando dos outros.

Denis disse...

Sader... e se puder, não veja a piscina de maisena, a não ser pra arregalar os olhos e fica pensando como pode uma coisa dessas, hehehe...

Depois os estrangeiros vêem ao Brasil, voltam falando algumas coisas sobre nós e não falta quem se sinta ofendido. Bom, com certas coisas que produzimos, fica difícil as pessoas não se espantarem.

Ah, quando puder veja tb o programa de Jota Lenon, nos domingos pela manhã na Band. É inacreditável, hehehe...

Grande abraço, Sadão!

Sader Chambela disse...

Rapaz! esse povo é comédia!! rsrsrssrsrs
Recebi mais um e-mail criticando o BBB e retornei questionando sobre críticas aos demais programas de final de semana... inclusive dizendo que os e-mails são recheados de tantos detalhes dos últimos episódios que não é possível que a pessoa que está criticando não esteja assistindo tb! Bem no estilo "faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço"!